Já diziam os mais antigos e mais sábios que eu: O que nasce torto tarde ou nunca se endireita.
E não sei se isto se refere ao dito mal que nunca muda ou se refere a nossa capacidade torta de cair sempre na mesma asneira.
Não sei.
Há muita coisa que não sei.
Há muita coisa que nunca irei saber.
Desde pequenina sempre tive um certo sentido de independência.
Não queria ordens. Não queria controlo. Nem queria perder aquilo que sonharia no futuro ser.
Engraçado que quando somos mais novos tudo parece mais certo do que quando atingimos aquela idade no cartão de cidadão onde costumo dizer, ela começa a pesar.
Cai. Como eu cai muitos caíram. Mas não só cai porque me magoei mas como cai porque acabei por contradizer tudo aquilo que defendia.
Quando gostamos de alguém que não se define como nós.
Alguém de mundos opostos, com objectivos diferentes, haverá sempre um que gostará mais do que outro e é esse pobre coitado que vai abdicar de tudo o que planeou e sonhou.
Essa pobre coitada fui eu. Não tenho pena de mim própria. Nem quero que ninguém tenha.
Uma vez vi uma frase que dizia algo como "Nunca te agarres demasiado a uma pessoa porque ela vai-te largar e tu cais.".
Nem sei bem onde vi isso deve ter sido num daqueles estados pirosos do facebook ou até mesmo numa descrição de uma foto (em que nada equivale) mas o que é certo é que a frase se mostra tão certa que até sinto raiva de mim própria por cair num cliché da sociedade.
Eu sempre dizia que nunca iria deixar um rapaz me magoar da mesma maneira que o meu pai magoou a minha mãe. Estupidez a minha.
Uma pessoa ilude-se muito com o presente e perdoa aquilo que nunca deveria perdoar.
Aprendi à força mas aprendi que o único amor que vale a pena é o amor próprio.
E a única pessoa que se tem de perdoar sou eu. Será mais um cliché da sociedade? Talvez.
Não me interessa. Seria tudo mais fácil se aquela menina de 18 anos tivesse permanecido comigo.
Mas eu não tenho pena.
Nem quero ninguém tenha pena de mim.
